Odalisca com Véu VermelhoÉ notável como nos países do oriente médio, a dança do ventre transformou-se em patrimônio cultural e que, suas tradições são passadas de mãe para filha ao longo dos séculos.

No Brasil, a situação se inverte por ocasião do país ser mergulhado em costumes ocidentais. Todavia, o reconhecimento dessa dança cresce mais e mais, desde o início dos anos 70, em que alguns restaurantes árabes da cidade de São Paulo possuíam apresentações para o seu público frequentador. Dançarinas famosas como Shahrazad e Samira aprenderam suas técnicas na casa noturna de chá Khan el Khalili. Além desses fatores, houve também a divulgação de filmes árabes no Brasil e por fim, o fenômeno da novela “O Clone” transmitida pela Rede Globo em horário nobre.

A novela causou um verdadeiro impacto no que diz respeito aos efeitos causados por uma temática árabe, exposta em primeira mão para o público brasileiro. Acontece uma identificação em massa relacionada aos personagens da trama, que trazem para o público algumas novidades associadas aos diferentes hábitos orientais.

Apesar das contradições transmitidas pela novela, ou então, algumas banalizações históricas, o número de interessados pela cultura e, principalmente pela dança, aumentou consideravelmente. As roupas, os dialetos, praticamente tudo virou febre entre uma grande parcela de brasileiros na época.

E por mais que a dança do ventre tenha conquistado uma popularidade significativa, a própria estética da arte foi deturpada por academias que contratavam desenfreadamente, professoras despreparadas para alimentar a sede de alunas emergentes que buscavam o aprendizado daquela novidade do oriente, que era bombardeada na televisão nacional.

A vulgarização tem seus antepassados na passagem do sistema matriarcal para o patriarcal e no próprio significado da dança que exalta a feminilidade, fertilidade e sedução. A imagem de uma dançarina do ventre acabou se tornando um apelativo erótico, desrespeitando a ética artística e fazendo surgir o preconceito.

Os espetáculos voltados para essa arte ganham notoriedade. Workshops e escolas especializadas nas técnicas, tentando resgatar os valores culturais, aparecem em diversos lugares do Brasil, explorando e divulgando a cultura árabe e satisfazendo a clientela exigente que busca na dança do ventre, uma alternativa para a preocupação estética com o corpo.