Egyptian Style Belly Dance

Esfinge EgípiciaO Egito Antigo é considerado, segundo hipóteses, um dos berços da dança do ventre, destacando-se as cidades do Cairo e Alexandria.

Teorias dizem que a dança estava presente em rituais religiosos que veneravam a deusa da fertilidade. Percebemos que, desde então, o corpo feminino é o maior instrumento da dança e só ele tem a capacidade de materializar a música.

Alguns historiadores depositam maior crédito ao Egito como a origem mais provável da dança do ventre, pois encontraram vestígios de movimentos da dança retratados em esculturas femininas dos tempos faraônicos. É possível relacionar esses dados à sua origem, porém, não se pode limitar seu desenvolvimento somente a este país.

Em 1798, durante sua primeira expedição científica na ocupação sobre o Cairo, Napoleão Bonaparte teve seu primeiro contato com a dança oriental por meio de uma festiva recepção das Ghawazees, dançarinas dos povos Tiziganes.

Características e Referências Atuais

Ao longo dos anos, as bailarinas do estilo egípcio ganharam fama por se diferenciarem das do estilo geral. Há portanto, um grande leque de variações das interpretações dentro desta categoria como o acompanhamento do ritmo de um instrumento ao invés da melodia, ainda que existam dançarinas que executem passos sincronizados com o acompanhamento melódico. O estilo é um tanto leve, aparentemente muito fundamentado e tradicional. Assim como acontece com todas as danças orientais, a dança do ventre egípcia é profundamente mergulhada em seu folclore e nos temas relacionados ao Egito. Os ritmos musicais Saidi e suas variações são muito comuns.

É interessante frisar que o surgimento da Era de Ouro advém do estilo egípcio e de outros mais modernos, e foi um período caracterizado pela ascensão e referência às dançarinas egípcias mais famosas entre os anos 1920 e 1950. A dança moderna e elementos do balé foram inseridos como uma tendência nessa época.

Na primeira metade do século XX, discotecas locais foram responsáveis por formalizarem os principais movimentos da dança do ventre como elementos na dança informal e folclórica do Oriente Médio e nomearam de Raks Sharki, dança do Oriente. A indústria do cinema árabe, baseada principalmente no Cairo, ajudou a expandir a dança oriental por todo o mundo.

Bailarina com Vestido SalmãoDuas formas principais das danças tradicionais estão associadas com a dança do ventre: A Baladi, estilo folk de dança das tribos árabes que se instalaram no Alto Egito e a Sharqi, que baseia-se na Baladi, mas que foi desenvolvida por dançarinos que conquistaram fama durante os anos dourados da indústria do cinema egípcio. Ainda que os movimentos básicos da Raks Sharki permaneçam inalterados, a forma de dançar continua a evoluir, sendo acrescentado elementos do balé.

Apesar de o Egito ser considerado o Santo Graal da dança do ventre, a dança não é vista com bons olhos pelos egípcios, que não consideram uma profissão respeitável, já que as dançarinas expõem a barriga, logo, a maioria por lá são estrangeiras, incluindo brasileiras. As egípcias não têm permissão de realizarem determinados movimentos ou algum trabalho solo, já que tais atitudes violam a constituição e ferem as tradições da sociedade.

Desde os anos 50, a dança do ventre foi considerada ilegal por ser executada publicamente com excessos de pele exposta. Portanto, é cada vez mais comum o uso de vestidos longos de lycra, com tecidos estrategicamente colocados preenchendo os recortes. Se o top e a saia estão separados, um cinto raramente é usado, e qualquer adorno é bordado diretamente na saia elegante.

Bailarinas do estilo egípcio tradicional dançam com os pés descalços, apesar de atualmente, graças ao surgimento de grandes espetáculos, sobretudo no Egito e Líbano, muitas se apresentarem com sapatos de salto alto como forma de demonstrar ascensão social. O uso de sementes que chacoalham emitindo um determinado som para cada movimento era utilizado como adorno nos quadris no Antigo Egito.

Manifestações sutis dos quadris, domínio dos tremidos, deslocamentos básicos adaptados do Balé e movimentação básica de braços e mãos são princípios desse estilo.

Atualmente, com amplas mudanças conceituais, é comum haver apresentações de dança do ventre em festa de casamento. Tradicionalmente, os noivos desenham as suas mãos no ventre da dançarina, simbolizando uma referência ao relacionamento da dança aos cultos da fertilidade. Nos maiores festivais realizados no Egito, Líbano e Turquia, as dançarinas mais famosas apresentam-se acompanhadas de grandes orquestras.